terça-feira, 12 de abril de 2011

Da Saudade

O Sol descia sobre o horizonte quando ela saiu de casa.
Não suportava a sua ausência. As paredes nuas dos risos de paixão.
O ar irrespirável demasiado preenchido de vazios dos sussurros que não se haviam ouvido nesses dias.
As janelas já não abriam há alguns dias, na triste indolência daqueles dias de Primavera.
Não podia deixar entrar o frio das horas sem sentir a presença dele.
Sentia-o em si todos os dias quando acordava com aquele som tão familiar que a deixava de sorriso no rosto.
Ele. E as suas palavras breves a dizer que estava ali. Pensava ela.
Tocava a estereofonia.

Es tu nombre mi único consuelo cuando con ternura lo recuerdo.


Sentada em frente a um caderno, tentava em vão escrever o que  gostaria de lhe poder dizer.
Havia prometido que não escreveria.
Mas, a saudade deixava-a naquela tepidez eterna.
Deixava que os dias a empurrassem na direcção daquele dia em que ele regressaria.
Estava perto.
Agora, os dias passavam-se em atropelo de horas, minutos, segundos.
Hoje sentira aquela necessidade imperiosa de sair e saudar a Mãe Natureza.
Parou junto àquele extenso arvoredo.
Seguiu o som que a chamava incessantemente e foi encontrar um pequeno ribeiro.
E umas cristalinas e mareantes águas que a fizeram sentar e descansar.
O corpo e a alma.



Si confundes tu cuerpo con tu alma es que tas enamorada.


Sentia-o perto na longa distância entre eles marcada.
E sentira-o longe.
Na sombra tranquila daquela tarde, uma gota de saudade desceu pela face, indo morrer nos lábios que sussurravam por ele.
Os dias eram apenas sucessões de horas de espera... Por ele.
Olhava o Sol que se perdia no horizonte.
E esperava.
Com a saudade por companheira.